BOTAFOGO –
Bairro vítima da cobiça imobiliária .
Espaço esquecido das práticas sociais....
Na abordagem desse tema vamos tentar analisar duas questões de vital importância para a sobrevivência do bairro enquanto “ qualidade de vida “ , tendo em vista o ultimo projeto de lei do prefeito, a ser votado no segundo semestre , tornando edificáveis a maior parte dos dezessete terrenos de Botafogo, isto é, deixando para as construtoras ,o que ainda resta de espaço disponível do bairro .
A situação do esgoto sanitário, geralmente unido ao escoamento das águas pluviais, vivenciado pelos moradores quando chove ,e que tem sido ignorada pelo poder público, ficará , com a venda desses 17 terrenos , que deveriam ser aproveitados para a convivência social através de parques , bibliotecas, centros comunitários, traumática.
Em vez do PLC-1 /2009, a Reforma Urbana deveria ser implantada , acabando de uma vez por todas com a especulação imobiliária e que esses TERRENOS sejam disponibilizados para funções sociais, que é um dos princípios colocados pela Constituição Brasileira
A necessidade de um espaço social ,não apenas como espaço físico, mas como um espaço utilizado pelos atores sociais , deveria ser implantado ,como resultado da existência simultânea de várias atividades e de vários grupos , com posições diferenciadas e com diferentes capacidades de ação sobre a vida social .
A questão relacionada com os objetivos deveria ser analisada pelos moradores do bairro ,através da AMAB, tentando focar as diversas formas da coexistência com
populações específicas e ideològicamente heterogêneas , onde convivem trabalhadores formais (assalariados), informais (ambulantes) , profissionais liberais,prestadores de serviço, comerciantes , classe média baixa ou alta , etc.... onde a diferença de classe social promove uma perspectiva diferente dos problemas do bairro.
Vamos utilizar o conceito de “ bairro urbano “ no sentido de unidade de ordenamento territorial, com idênticas e contínuas estruturas morfológicas, residenciais , funcionais e de práticas sócio-culturais.
A questão do espaço urbano é complexa e deverá ser abordada sob o foco de várias perspectivas , e deveria ser tema de discussões constantes com todos os moradores do bairro, através de seminários .
Democraticamente é importante fazer debates sobre as implicações de um empreendimento imobiliário, porque interfere no bairro todo, assim com procurar através da AMAB , discutir com a população organizada onde seriam feitos os investimentos do orçamento municipal ( ORÇAMENTO PARTICIPATIVO )
Não podemos esquecer o ESTATUTO DA CIDADE , que aconteceu em 2001onde se encontra o PLANO DIRETOR PARTICIPATIVO , que é um instrumento de planejamento , feito a partir de um diagnóstico dos problemas vivenciados , por exemplo demarcar as áreas vazias que poderiam estar destinadas ao interesse social.
A partir do diagnóstico seria verificado onde faltam equipamentos públicos , onde se precisa fazer escolas , áreas de lazer ou espaços culturais .
No plano também poderiam ser identificadas as atividades econômicas e pensar como incentivar o crescimento e o associativismo popular para a geração de trabalho e renda ( assentamento dos ambulantes ) , como economia informal.
A idéia é permitir que as pessoas possam falar dos problemas que vivenciam, dos conflitos , e elaborar propostas para que o bairro se organize melhor , tendo um crescimento equilibrado e sustentável .
Pensar em um bairro melhor para todo o mundo .
Um dos instrumentos seria também a criação de conselhos de bairro onde o conjunto de moradores com seus diversos interesses possam sentar juntos e dar continuidade ao pensamento sobre a “AMAB que queremos” , por exemplo....
Falar das formas de coexistência dos habitantes do bairro e de suas práticas sociais nos leva a atribuir a cada função um espaço específico , distinto dos outros na sua implantação e na sua arquitetura , animado por um projeto de igualdade social de zonas residenciais de população heterogênea através da proximidade espacial quotidiana.
Nesse espaço social do bairro criou-se um modo de vida muito próprio, com características sociais e culturais específicas ,devidas à coexistência do espaço funcional, da relação residencial, da atividade econômica e da criatividade lúdica.
A estrutura espacial destas assim chamadas “ colmeias “ caracteriza-se por uma elevada compacidade geral em função da ampla preponderância dos espaços construídos sobre os espaços de circulação e os espaços verdes .
O bairro necessita urgentemente de espaços de convivialidade e centralidade .
Além das ruas e dos espaços públicos ,que são lugares privilegiados onde a ambiência e o encontro no fervilhar da vida quotidiana são pelo menos tão importantes como a função utilitária , precisamos também de um” Centro Comunitário” , lugar onde diversas atividades seriam implantadas segundo a necessidade da maioria ,coordenados pela AMAB onde também funcionaria a sua “sede”.
Como as questões do bairro precisam ser discutidas , e muito mais moradores devem ser mobilizados ,precisamos chamar técnicos de cada assunto para que possa elucidar sobre as questões abaixo :
- Infra estrutura do bairro ameaçada pela construção sem planejamento
( energia / água / esgoto )
- Solo urbano – balanço: espaço construído/ livre
- densidades ( custos de urbanização )
- atividades ( valorização x desvalorização )
- serviços ( transporte , segurança , telefonia )
- equipamentos ( abastecimento , educação , saúde )
- renda / consumo ( status , paisagem, padrão )
A maior parte de projetos de urbanistas defendem a heterogeneidade ,vendo nisso o meio privilegiado para a realização de três objetivos principais:
1-enriquecer a vida de cada um com a variedade de contatos
2- promover o ideal da tolerância e da compreensão e a melhoria do
conhecimento recíproco .
3- propor aos mais desfavorecidos modos de vida alternativos , ajudando-os na
sua ascensão social.
Hoje , felizmente , vivemos num contexto cultural que dificilmente tolera as desigualdades , ao contrário das situações anteriores em que as diferenças de “status “, de rendimentos, de nível de vida eram, geralmente, reconhecidas como” legítimas “.
A vida está difícil para todos .
No entanto a violência , que é uma questão polêmica , que vivemos intensamente no nosso dia a dia decorre do modelo competitivo , tornando as diferenças insuportáveis , lidas em forma de injustiça .
Acredito na mudança de mentalidade da classe mais favorecida do bairro para que em vez de atiçar conflitos e desconhecer que existem moradores de rua, favelados , crianças ligadas ao tráfego , camelôs ,etc...., busquem um comportamento do
” bom vizinho” que é aquele com quem partilha certas atividades mais ou menos regulares de cultura e lazer , assim como também uma mesma concepção da qualidade do ambiente , da educação das crianças , de um mesmo sentido da limpeza e da sujidade da beleza e da fealdade reduzindo as ocasiões de conflito , minimizando as exigências de regulamentos explícitos.
Insistimos no fato de que todas as populações e todas as atividades ,mesmo as que podem ser consideradas como marginais , devem ter o seu lugar reconhecido no bairro .
Porque a AMAB, através de discussões com os moradores do bairro , não luta para que todos os 17 terrenos contidos no PLC-1 /2009 sejam tornados
“ área destinada a implantação de equipamentos públicos comunitários ou urbanos “ , evitando assim que estas áreas sejam vendidas para as construtoras , que é o desejo do Poder Público , conforme a imprensa anunciou ?
A AMAB defende ,desde 17 /03/09 onde foi aprovado, com poucos moradores que compareceram à reunião ordinária , o que segue abaixo :
TERRENOS EDIFICÁVEIS – total 9
terrenos – Rua Fernandes Guimarães n 100/102
Rua Álvaro Ramos 146
101 - Rua Nelson Mandela ( lado impar )entre a Álvaro Rodrigues e
Gen Polidoro – terreno hoje ocupado pela Construtora Odebrecht
tendo o PA 11839 para a construção de uma rua de 19 metros
102 - Rua Nelson Mandela ( lado par ) idem .
104 A- Rua Nelson Mandela entre a Rua São Clemente e Voluntários,
terreno comprado p/ CHL onde está prevista a construção de
imóveis . Respeitar o disposto no caput do art.3
106 - Rua São Clemente esquina com a Muniz Barreto ( lado par )
108 - Rua Muniz Barreto ( lado impar ) esquina Marques de Olinda(impar)
110 - Rua Muniz Barreto ( lado par ) esquina da Marques de Olinda ( par )
112 - Rua Barão de Itambi, esquina Clarisse Índio da Costa
Os outros oito terrenos “ graças a DEUS ‘’ não podem ser vendidos por terem a classificação de “ áreas destinadas a projetos paisagísticos e implantação de equipamento urbano de uso coletivo “ ou”.......públicos comunitários ou urbanos “
Elisabeth Coelho
Moradora de Botafogo
Arquiteta
E mail – bethcol@uol.com.br
BAIRRO VITIMA
quinta-feira, 4 de junho de 2009
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